Meio/Ideia: Flávio perde jovens, alta renda e centro-direita
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Em meio à crise desencadeada pela revelação da ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL) caiu na intenção de votos entre grupos cruciais para a eleição presidencial deste ano. A pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira, 28, reforça a queda do senador já captada por outros institutos desde que o escândalo veio à tona, duas semanas atrás. No primeiro turno, no cenário estimulado, o presidente Lula abriu sete pontos percentuais de vantagem, recuando de 40% para 38,5%, enquanto Flávio caiu de 36% para 31,5%. O cenário se completa com Ronaldo Caiado, com 5,5%; Romeu Zema, com 2,4% e Renan Santos, com 2,1%. Já no segundo turno, na pesquisa de 6 de maio, Flávio Bolsonaro liderava o confronto direto com Lula por 45,3% contra 44,7%. Agora, três semanas depois, a situação se inverteu: Lula foi a 46,5% e Flávio recuou para 41,4%.
Primeiro turno (cenário estimulado)

A pesquisa Meio/Ideia revela que a queda de Flávio, num segundo turno hipotético contra Lula, é mais acentuada em três grupos: ele perdeu 18,9 pontos percentuais entre eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos, 18 pontos entre os que se identificam como de centro-direita e 15,7 pontos entre os jovens de 16 a 24 anos. “A queda de Flávio foi grande em três grupos onde não pode perder. Entre os jovens, na centro-direita e nos que ganham mais de 5 salários. Os jovens e os moderados de direita são fundamentais num 2º turno apertado. Se ficam em casa, ele perde. Os brasileiros de maior renda são onde está a briga com Lula”, avalia Pedro Doria, diretor de Jornalismo do Meio.
A pesquisa Meio/Ideia, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL, realizou 1.500 entrevistas entre 23 e 27 de maio de 2026. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro, de 2,5 pp.
IMPACTO DO CASO MASTER/DARK HORSE
A pesquisa mediu o quanto os entrevistados tomaram conhecimento do áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro: 37,4% disseram ter ouvido ou visto muita coisa sobre o caso, e 23% disseram ter ouvido alguma coisa — somados, 60,4% tiveram algum contato com o episódio. Outros 10% ouviram falar só de passagem, sem detalhes, e 18,2% não ouviram falar nada.
Sabe da ligação de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?

Os áudios que revelaram a ligação entre Flávio e Vorcaro fizeram com que 44% dos eleitores tivessem “uma opinião pior” sobre o senador, enquanto 30,8% disseram que não mudaram sua percepção e 14,5% tiveram uma opinião melhor do candidato. Outros 10,7% não souberam responder. O impacto tende a ser negativo para a campanha de Flávio, sendo que 57% acham que o caso vai prejudicar muito ou um pouco a campanha, 24% acreditam que não terá impacto e 6% avaliam que o senador será ajudado pelo efeito “vitimização”. Outros 13% não souberam responder.
Sua opinião sobre Flávio Bolsonaro após o caso

Aliás, 48% dos entrevistados concordam que o caso de Flávio mostrando ter pedido dinheiro a Vorcaro para finalizar o filme Dark Horse, sobre seu pai, Jair Bolsonaro, merece uma investigação aprofundada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público; 20% discordam dessa afirmação, mesmo percentual de quem não concorda, nem discorda.
Caso Master é grave e deve ser investigado

“A desorganização da oposição e a insistência no bolsonarismo ajudam Lula. O patamar de rejeição de Flávio Bolsonaro segue elevado, e o evento do áudio com Daniel Vorcaro não contribui para amenizar essa rejeição, muito pelo contrário”, avalia Mauricio Moura, fundador do Ideia. Lula segue sendo o candidato mais rejeitado: 46,7% agora, contra 44,8% na rodada anterior. Flávio Bolsonaro também viu sua rejeição crescer, de 38% para 39,8%. Os dois lideram a rejeição com folga sobre os demais: Michelle Bolsonaro aparece em terceiro com 26%, seguida de Zema com 18% e Caiado com 16%.
Em quem não votaria

OUTROS CENÁRIOS DE PRIMEIRO TURNO
A pesquisa Meio/Ideia testou outros possíveis cenários de primeiro turno, caso a candidatura de Flávio Bolsonaro não se mantenha. Com Michelle Bolsonaro em seu lugar, Lula tem 38%, e a ex-primeira-dama aparece com 29,6%, seguida de Caiado com 6,2%, Zema com 3,8% e Renan com 2,1%. Também testamos a senadora Tereza Cristina, do PL de Mato Grosso do Sul. Neste cenário, Lula lidera com 38,1%, seguido de Tereza Cristina com 15,9%, Caiado com 9,2%, Renan Santos com 4,5% e Zema com 3,7%. Do lado petista, foi testado um cenário com Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, no lugar de Lula. Haddad marca 36,5% contra 32,7% de Flávio Bolsonaro, com Caiado em 5,9%, Zema em 2,4% e Renan Santos em 2,1%.
Primeiro turno alternativo: Lula x Michelle

Primeiro turno alternativo: Lula x Tereza Cristina

Primeiro turno alternativo: Fernando Haddad x Flávio

LULA LIDERA EM TODOS OS CENÁRIOS DE SEGUNDO TURNO
Entre os demais candidatos da direita testados em segundo turno, Caiado aparece como o mais competitivo, com 40%, contra 46% de Lula — mesmos números da rodada anterior. Zema marca 37% (era 39%), Renan Santos 31% (era 27,6%), Tereza Cristina 27% e Joaquim Barbosa, também testado pela primeira vez, 26%. Michelle, em segundo turno direto com Lula, vai a 40% — próxima de Caiado, e 1,4 ponto acima de Flávio no mesmo cenário.
Segundo turno: Lula x Caiado

Segundo turno: Lula x Zema

Segundo turno: Lula x Renan

Segundo turno: Lula x Michelle

Segundo turno: Lula x Tereza Cristina

Segundo turno: Lula x Joaquim Barbosa

Num eventual segundo turno entre Haddad e Flávio, o resultado é de 42% para Haddad contra 41,5% para Flávio, com 8% de branco/nulo e 8,5% de não sabe. Os dados também mostram que o eleitor está mais decidido sobre em quem votar para presidente em outubro. Segundo a nova pesquisa, 62% já decidiram o voto, contra 38% que ainda podem mudar. No início do mês de maio, 55% afirmavam ter decidido, ante 45% que poderiam trocar de candidato.
Decisão do voto

MELHORA NA AVALIAÇÃO DO GOVERNO
A avaliação geral do governo Lula melhorou entre as duas ondas. O ótimo/bom passou de 31,5% para 35,6%, puxado principalmente pela queda do péssimo, que recuou de 32,3% para 25,4% — redução de quase 7 pontos percentuais. O ruim ficou praticamente estável (14% para 15,3%), assim como o regular (21% para 21,7%). Nas áreas setoriais, a melhora é generalizada mas discreta. Na economia, o ótimo/bom foi de 27,7% para 28,8%, com o péssimo caindo de 34,7% para 31%. Na saúde, o ótimo/bom subiu de 28,3% para 30,4%, com o péssimo recuando de 30% para 26,5%. Na educação, o ótimo/bom se manteve estável, em 32,6%. A segurança pública segue sendo o ponto mais fraco do governo: o ótimo/bom somado chega a apenas 19,7%, contra 17,7% na onda anterior, com péssimo ainda em 31,6%.
Avaliação geral do governo Lula

A aprovação de Lula também melhorou, embora sua desaprovação siga mais alta. O presidente tinha 44% de aprovação e 53% de desaprovação no começo do mês. Agora, a aprovação subiu para 46,6% e a desaprovação recuou para 51,4%.
Aprovação de Lula

Para 45,6% do eleitorado, Lula merece continuar na presidência da República, ideia rejeitada por 51,4% — outros 3% não souberam responder. Para a CEO do Ideia, Cila Schulman, “essa é a pergunta central da eleição. O presidente segue com saldo negativo nesse sentimento e o tempo está passando. E mesmo o nível da avaliação ótimo/bom ainda o coloca em uma posição frágil de êxito”.
Lula merece outro mandato?

ELEIÇÕES E COPA DO MUNDO
Para 45% dos entrevistados, a Copa do Mundo vai fazer a opinião pública brasileira esquecer o escândalo do Banco Master, enquanto 41% discordam dessa afirmação. É uma percepção que atravessa o eleitorado de forma relativamente homogênea — mas é especialmente forte entre os que mais aprovam Lula, onde chega a 80,7%.
O brasileiro está relativamente entusiasmado com o Mundial: 21,3% se dizem totalmente animados e 35,3% parcialmente animados — somados, 56,6% no espectro positivo. De outro lado, apenas 8,7% disseram estar totalmente desanimados e 14,2% parcialmente desanimados.
Já com relação às eleições, houve um aumento do ânimo entre as duas rodadas. No começo do mês, apenas 13% se diziam totalmente animados para votar para presidente em 2026, com 32% parcialmente desanimados e 18% totalmente desanimados — ou seja, 50% no espectro do desânimo. Agora, o totalmente animado subiu para 18,8% e o parcialmente animado foi a 22,7%, enquanto o desânimo recuou: parcialmente desanimado caiu para 24% e totalmente desanimado para 13%.


