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Ponto de Partida

Pedro Doria em análises profundas e didáticas sobre a política do Brasil e do mundo.

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Quer derrotar Lula? Larga o Flávio

Você. Você que está cansado de Lula na presidência. E que não é bolsonarista. Hoje quero conversar com você. Talvez você não saiba disso, mas você não está sozinho. Olha, pela nossa pesquisa Meio/Ideia, gente como você dá próximo de 40% de todo o Brasil. É muita gente. É tanta gente que, todo mundo junto, poderia determinar o resultado dessa eleição. Mas a gente olha para as pesquisas e tem a sensação de que não tem como, não tem caminho, parece inevitável. Flávio e Lula no segundo turno, toda a pinta de que Lula deve ganhar de novo. Me dá dez minutos da sua atenção? Prometo que não é muito mais do que isso.

Flávio não tem voz

Sexta-feira à noite, Flávio Bolsonaro ligou a câmera do celular e gravou um desabafo. O pai dele, disse, "foi enterrado vivo". A decisão que acabava de sair do Supremo era "ilegal, desproporcional, covarde e cruel". Segura essa imagem aí: um homem sozinho, de noite, gravando vídeo indignado no celular. Saem aqueles filmes bem acabados do início da campanha do filho, entram as lives desajeitadas no estilo do pai. Guarda essa ideia porque ela explica mais da eleição que começa hoje do que todas as convenções que vão se espalhar pelo país até 5 de agosto.

Pesquisa com selo e orçamento sem selo

No Ponto de Partida React desta sexta-feira (17), Luiza Silvestrini e Pedro Doria comentam as opiniões da audiência do Meio sobre o sistema eleitoral brasileiro, os reflexos dele na composição do Congresso e, consequentemente, na destinação do orçamento, e sobre a proposta do Tribunal Superior Eleitoral de conceder um selo aos institutos de pesquisa que mais se aproximarem do resultado das eleições.

O truque do TSE

Ontem, o presidente do TSE fez uma proposta que parece a coisa mais razoável do mundo. Premiar, com um selo, os institutos de pesquisa que mais acertarem o resultado da eleição. Quem chega perto da urna ganha um selo de qualidade. Justo, não é? Então: é exatamente aí que mora o truque. Porque essa ideia, que se veste de mérito, faz o contrário do que promete: ela não premia a boa pesquisa. Ela premia a fraude. Vem comigo.

Quem manda no seu dinheiro

Esta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo, mandou bloquear o dinheiro de dois homens. Um se chama Valdemar Costa Neto. O outro, Eduardo Cunha. Pois é. Deixa eu contar uma coisa que, aposto, a maioria de vocês já sabe. Tem um pedaço do dinheiro público — do nosso dinheiro — em que o presidente da República não manda mais. Quem manda é o Valdemar. E o Valdemar nunca foi eleito pra isso. Nunca. E não é pouca coisa, não: é dinheiro suficiente pra decidir se a obra aparece na sua cidade ou se não aparece. Ele, o Valdemar, não está sozinho.

O novo conservador

O que a fuga do eleitorado feminino revela sobre o futuro da direita no Brasil? No Ponto de Partida React desta sexta (10), Yasmim Restum traz a seleção de comentários e perguntas de vocês, e Pedro Doria analisa a dissolução da base radical bolsonarista e o crescente desejo de moderação na política. A partir de dados como os da sétima edição da pesquisa Meio/Ideia, vamos entender juntos o perfil do conservador brasileiro hoje. Participe da conversa enviando suas perguntas e comentários nos vídeos de segunda e quarta-feira.

Flávio perdeu as mulheres

A gente descobriu uma coisa, nesta sétima edição da pesquisa Meio/Ideia, que nenhuma pesquisa tinha deixado claro até aqui. A base bolsonarista está se dissolvendo. Deixa eu botar um alerta, pra ser claro a respeito do que estou dizendo. Não é que a candidatura de Flávio Bolsonaro está condenada e ele não tem chances de vencer. Não é, tampouco, que o bolsonarismo esteja morto. A questão é que o radicalismo de direita está morrendo na sociedade, e está morrendo por caminhos diferentes. Está morrendo pela periferia urbana, está morrendo pelo voto evangélico e, sim, está morrendo pelo voto feminino conservador.

A última camisa do Neymar

Eu falei. Não faz nem duas semanas, aqui mesmo, num dia de jogo, eu abri um episódio dizendo que esse ano — diferente de 2022, de 2018, diferente de 2014 — eu estava achando que dava pra Seleção. Pois é. Não deu.

O plano das mulheres de direita

Enquanto os bastidores da família Bolsonaro fervem com disputas internas, uma pergunta ganha força: quem está realmente pavimentando o futuro da direita no Brasil?

A tropa da Michelle

Tem um movimento político evangélico nascendo no Brasil, e ele está trocando o barulho pela organização. Sai a estridência do Silas Malafaia e entra uma coisa nova, muito mais séria: militância política organizada, de verdade. Ontem, Michelle Bolsonaro renunciou à presidência do PL Mulher; hoje, Valdemar Costa Neto dissolveu o cargo. Diz que sem a Michelle, não faz sentido. Não é demagogia, sem ela, não faz, mesmo. E a maior parte das pessoas vai ler isso como mais um capítulo da briga da família Bolsonaro. Não é. É o sintoma de uma coisa muito maior, sendo construída na frente de todo mundo sem que quase ninguém perceba. Michelle, Damares e Nikolas Ferreira são a vanguarda de uma coisa nova na política.