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Ponto de Partida

Pedro Doria em análises profundas e didáticas sobre a política do Brasil e do mundo.

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Quem manda no seu dinheiro

Esta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo, mandou bloquear o dinheiro de dois homens. Um se chama Valdemar Costa Neto. O outro, Eduardo Cunha. Pois é. Deixa eu contar uma coisa que, aposto, a maioria de vocês já sabe. Tem um pedaço do dinheiro público — do nosso dinheiro — em que o presidente da República não manda mais. Quem manda é o Valdemar. E o Valdemar nunca foi eleito pra isso. Nunca. E não é pouca coisa, não: é dinheiro suficiente pra decidir se a obra aparece na sua cidade ou se não aparece. Ele, o Valdemar, não está sozinho.

O novo conservador

O que a fuga do eleitorado feminino revela sobre o futuro da direita no Brasil? No Ponto de Partida React desta sexta (10), Yasmim Restum traz a seleção de comentários e perguntas de vocês, e Pedro Doria analisa a dissolução da base radical bolsonarista e o crescente desejo de moderação na política. A partir de dados como os da sétima edição da pesquisa Meio/Ideia, vamos entender juntos o perfil do conservador brasileiro hoje. Participe da conversa enviando suas perguntas e comentários nos vídeos de segunda e quarta-feira.

Flávio perdeu as mulheres

A gente descobriu uma coisa, nesta sétima edição da pesquisa Meio/Ideia, que nenhuma pesquisa tinha deixado claro até aqui. A base bolsonarista está se dissolvendo. Deixa eu botar um alerta, pra ser claro a respeito do que estou dizendo. Não é que a candidatura de Flávio Bolsonaro está condenada e ele não tem chances de vencer. Não é, tampouco, que o bolsonarismo esteja morto. A questão é que o radicalismo de direita está morrendo na sociedade, e está morrendo por caminhos diferentes. Está morrendo pela periferia urbana, está morrendo pelo voto evangélico e, sim, está morrendo pelo voto feminino conservador.

A última camisa do Neymar

Eu falei. Não faz nem duas semanas, aqui mesmo, num dia de jogo, eu abri um episódio dizendo que esse ano — diferente de 2022, de 2018, diferente de 2014 — eu estava achando que dava pra Seleção. Pois é. Não deu.

O plano das mulheres de direita

Enquanto os bastidores da família Bolsonaro fervem com disputas internas, uma pergunta ganha força: quem está realmente pavimentando o futuro da direita no Brasil?

A tropa da Michelle

Tem um movimento político evangélico nascendo no Brasil, e ele está trocando o barulho pela organização. Sai a estridência do Silas Malafaia e entra uma coisa nova, muito mais séria: militância política organizada, de verdade. Ontem, Michelle Bolsonaro renunciou à presidência do PL Mulher; hoje, Valdemar Costa Neto dissolveu o cargo. Diz que sem a Michelle, não faz sentido. Não é demagogia, sem ela, não faz, mesmo. E a maior parte das pessoas vai ler isso como mais um capítulo da briga da família Bolsonaro. Não é. É o sintoma de uma coisa muito maior, sendo construída na frente de todo mundo sem que quase ninguém perceba. Michelle, Damares e Nikolas Ferreira são a vanguarda de uma coisa nova na política.

O inimigo de Flávio

Em dias como hoje, desse jogo Brasil x Japão, eu não sei vocês. Mas eu não sei como sobrevivo a cada quatro anos a uma Copa do Mundo. O pior é que, olha, diferentemente de 2022, de 2014, esse ano eu estou achando que dá pra Seleção. Aí fica tudo tão mais duro, sabe? Fecha, deixa estar, vamos falar de Michelle Bolsonaro. Você entendeu o que exatamente está acontecendo? Bem, ninguém pode dizer que entendeu. Por um lado, a família Bolsonaro tem imenso poder sobre um pedaço importante do eleitorado. Por baixo, um quarto dos eleitores brasileiros estão mais do que dispostos a votar em qualquer candidato com esse sobrenome. Na pesquisa Nexus, divulgada hoje, o segundo turno Flávio x Lula já está em empate técnico de novo.

Consumo, corrupção e Bets

No Ponto de Partida React, hoje com Luiza Silvestrini, Pedro Doria responde a críticas da audiência  sobre o caso Master, o estímulo ao consumo da população e a ética na Política brasileira.

O atalho que quebrou o Brasil

O Brasil está prestes a cair num buraco fundo. E por dois lados ao mesmo tempo. De um lado, a política sendo engolida pela corrupção — a essa altura, prova aparece e já não derruba mais ninguém. Flávio Bolsonaro ganhou 60 milhões de Vorcaro? Só desliza um pouquinho nas pesquisas. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ganhou um apartamento? Passa uma semana e o presidente ainda está pensando se demite ou não. Do outro, a economia saindo dos trilhos outra vez, porque a gente insiste no mesmo truque que já quebrou o país uma vez. Dois buracos. E olha: eles têm a mesma causa. Uma só. O Brasil foge do trabalho difícil. Apitar a falta não importa pra quem e segurar a economia no lugar são coisas chatas, lentas, que não rendem aplauso nem um inimigo bonito pra apontar. Trabalho de dia a dia não dá meme, não gera história de mocinho e bandido pra virar vídeo de um minuto. O atalho é sempre mais fácil. E é por isso que nenhum — nenhum — dos candidatos que estão aí na sua frente se oferece pra enfrentar os dois. Só que enfrentar os dois ao mesmo tempo é a única saída. A gente está empacado. Crescimento medíocre. As pessoas achando que não têm futuro. Onde está a liderança política que explica direito o problema? Que trabalha sem ser histriônico? Ainda tem adulto na sala?

Vorcaro comprou todo mundo

A Lava Jato prometeu acabar com a corrupção. O que ela acabou foi com a capacidade do Brasil de combatê-la. Esta não é uma conclusão óbvia. Mas é importante entender o tamanho do estrago que esse escândalo do Banco Master causou. Se você tentar entendê-lo na base do é um escândalo de esquerda ou é um escândalo de direita, talvez saia feliz, talvez saia triste, porque seu lado se deu bem ou se deu mal. Mas vai sair sem entender o que aconteceu de fato.