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Meio/Ideia: disputa entre Lula e Flávio se cristaliza às vésperas das convenções

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Às vésperas das convenções partidárias, a disputa presidencial mostra poucos sinais de mudança. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno e mantém a vantagem aberta desde que o caso Dark Horse veio à tona. É o que aponta a nova pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira, 8. Se a disputa fosse hoje, Lula teria 45% das intenções de voto, ante 40% do parlamentar. Outros 10,5% afirmam que votariam em branco ou nulo, enquanto 4,5% não souberam responder. Em relação ao levantamento anterior, publicado em 28 de maio, os dois oscilaram dentro da margem de erro: Lula passou de 46,5% para 45%; e Flávio Bolsonaro, de 41,4% para 40%.

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Olhando mais de perto, entretanto, é possível enxergar uma disputa marcada por fortes diferenças entre os segmentos do eleitorado. A diferença entre homens e mulheres é um dos vieses mais marcantes do levantamento. Flávio Bolsonaro lidera entre os eleitores do sexo masculino, com 46,3% das intenções de voto, ante 39,2% de Lula. Em meio às mulheres, porém, o cenário se inverte: o presidente abre vantagem de mais de 16 pontos percentuais, com 50,4%, contra 34,2% do senador. Para a CEO do Ideia, Cila Schulman, é justamente o desempenho do petista neste grupo que sustenta sua liderança na corrida ao Planalto. “A principal diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro vem exatamente do gap de gênero. O voto feminino, se as eleições fossem hoje, seria fundamental para a reeleição do presidente Lula”, afirma.

No recorte de idade, Flávio Bolsonaro lidera entre os mais jovens, de 16 a 24 anos (45,7% a 33,3%), e entre os eleitores de 25 a 34 anos (43,3% a 42%). Lula, por sua vez, abre vantagem a partir dos 35 anos e alcança seu melhor desempenho entre os entrevistados de 45 a 59 anos, faixa em que registra 50% das intenções de voto, contra 38% do bolsonarista.

A renda também divide o eleitorado. Lula domina entre os brasileiros com renda de até um salário mínimo, com 58,8% das intenções de voto, ante 28,4% de Flávio Bolsonaro. O senador vira o jogo entre aqueles que recebem de um a três salários mínimos, com 45% contra 39,9% do presidente, e registra sua maior vantagem entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos: 47,9%, contra 37,6% de Lula. Na faixa intermediária, de três a cinco salários mínimos, há equilíbrio entre os dois: Lula tem 42,3%, e Flávio Bolsonaro, 39,3%.

Regionalmente, o petista preserva sua maior fortaleza no Nordeste, onde alcança 62,7% das intenções de voto, diante de 24,7% de Flávio Bolsonaro. O filho “Zero Um” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera no Sul (54,1% a 16,8%) e no Norte (49,2% a 33,6%), enquanto o presidente aparece à frente no Centro-Oeste (46,7% a 38,3%). No Sudeste, principal colégio eleitoral do país, o cenário é de equilíbrio, com Lula marcando 45,5% e Flávio Bolsonaro, 43,4%.

O enclave religioso mantém a polarização observada em pesquisas anteriores. Lula lidera com folga entre os católicos (55,2% a 31,9%) e entre os eleitores de outras religiões (62,9% a 25,7%), enquanto Flávio Bolsonaro concentra uma ampla vantagem entre os evangélicos, segmento em que registra 61,1% das intenções de voto, contra 18,7% do presidente. Entre os brasileiros sem religião, Lula marca 44,7% e Flávio Bolsonaro, 39,7%.

Esta pesquisa eleitoral, Meio/Ideia, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026 -BRASIL. Amostra: 1.500 entrevistas representativas BR. Intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,5 pp. Campo: 3 de julho a 6 de julho de 2026. Devido ao arredondamento, a soma dos percentuais pode variar de 99% a 101%.

A disputa no primeiro turno

A vantagem dos dois principais adversários também aparece no primeiro turno. Nos cenários testados pela pesquisa Meio/Ideia, Lula e Flávio Bolsonaro surgem isolados na liderança. Na rodada espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, o presidente é citado por 32,8% dos entrevistados, enquanto o senador soma 20,3%. Os demais nomes ficam atrás: Jair Bolsonaro (inelegível) é lembrado por 1,3%, Ronaldo Caiado, por 1,2%, e nenhum outro possível candidato ultrapassa 1%. O índice de indecisos ainda é elevado: 33,1% afirmam não saber em quem votariam — quando nenhum nome lhes é colocado — enquanto 8,5% dizem que pretendem votar em branco, nulo ou em ninguém.

Mesmo nos cenários estimulados, a dianteira do petista e do bolsonarista se mantém. No primeiro cenário testado, Lula tem 40,4% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. Em um segundo pelotão aparecem Ronaldo Caiado (4%), Romeu Zema (2,5%), Aécio Neves (2%) e Renan Santos (2%). No segundo cenário, Michelle Bolsonaro substitui Flávio Bolsonaro como representante do campo bolsonarista. Lula mantém os mesmos 40,4% das intenções de voto, enquanto a ex-primeira-dama aparece com 29,4%. Ronaldo Caiado sobe para 7%, e Romeu Zema registra 4,4%.

Além do confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a rodada também simulou outros cenários de segundo turno. O presidente mantém os mesmos 45% das intenções de voto em todas as hipóteses testadas, enquanto o desempenho varia entre os possíveis adversários. Entre os nomes avaliados, Ronaldo Caiado é quem mais se aproxima de Lula, com 37,6% das intenções de voto, seguido por Romeu Zema, com 37%, e Michelle Bolsonaro, com 36%. Renan Santos aparece com 33%, enquanto Joaquim Barbosa registra 23%, no cenário em que o presidente abre sua maior vantagem.

O fator Michelle

Alvo das atenções nas últimas semanas após publicar um vídeo, em 24 de junho, em que expôs seu racha com Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro também foi posta à prova pelos números. O levantamento mediu a percepção do eleitorado sobre o peso político da ex-primeira-dama: questionados sobre quem é, hoje, a mulher que mais tem poder no Brasil, sem que nenhum nome fosse apresentado, Michelle veio à cabeça de 15,4% dos entrevistados. Na sequência, a atual primeira-dama Janja foi citada por 9%, enquanto Cármen Lúcia, em terceiro lugar, foi mencionada por 4,5%. A ex-presidente Dilma Rousseff aparece com 2,5%, seguida por Simone Tebet, com 2%. Ao todo, 43,5% não souberam responder, e 5,5% afirmaram que nenhuma mulher ocupa hoje esse posto. “Não é trivial ser apontada espontaneamente por 15,4% do eleitorado como a mulher mais poderosa do Brasil. É um sinal forte do seu peso político”, ressalta Mauricio Moura, fundador do Ideia.

O vídeo de Michelle, aliás, repercutiu e teve alcance relevante entre o eleitorado. Perguntados sobre a gravação em que Michelle expôs suas desavenças com o enteado, 57,6% dos entrevistados disseram ter acompanhado ou ouvido falar sobre o caso. Desses, 33,5% afirmaram ter acompanhado diretamente, enquanto 24,1% disseram apenas ter ouvido comentários. Outros 25,2% não ficaram sabendo, e 17,1% não souberam responder. Entre aqueles que tiveram contato com o episódio, a avaliação ficou dividida. Para 64% dos entrevistados, as declarações de Michelle eram totalmente verdadeiras (29%) ou mais verdadeiras do que falsas (35%). Outros 29% avaliaram que eram mais falsas do que verdadeiras, enquanto 6,6% disseram não saber avaliar.

O impacto sobre a confiança na ex-primeira-dama, no entanto, foi mais limitado. Para 44,4% dos entrevistados que acompanharam o caso, o episódio não aumentou nem diminuiu a confiança em Michelle. Outros 23,4% disseram que passaram a confiar mais nela, enquanto 17,3% afirmaram que a confiança diminuiu.

E o Jaques Wagner?

Não só o vídeo de Michelle Bolsonaro provocou uma turbulência no cenário eleitoral nas últimas semanas. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), também entrou no radar após a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero. O quanto o episódio afetou a candidatura de Lula? Para entender isso, a pesquisa perguntou aos eleitores se eles tinham acompanhado o caso. Mais da metade, 56,8%, disseram ter visto, ouvido ou tomado conhecimento sobre o assunto. Desses, 26,2% afirmaram ter visto ou ouvido “muita coisa”, 17,7% disseram ter acompanhado alguma coisa e 12,9% apenas de passagem. Outros 27,4% não ficaram sabendo do caso, enquanto 15,8% não souberam responder.

Pensando especificamente no impacto sobre a intenção de voto em Lula, o efeito foi mais negativo do que positivo. Para 17,3% dos entrevistados, o caso diminuiu a chance de votar no presidente, enquanto 7% disseram que aumentou. Outros 42% afirmaram que o episódio não alterou sua disposição de voto.

Mas o caso Banco Master não desgastou apenas o campo governista. O episódio envolvendo o áudio de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro também foi avaliado. Para 29,5% dos entrevistados, o caso diminuiu a chance de votar no senador, enquanto 6,6% disseram que aumentou. Outros 36,5% afirmaram que a situação não alterou sua decisão.

Já na percepção do eleitorado sobre quem estaria mais envolvido no caso, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem praticamente empatados: 39% citam o presidente, enquanto 37,4% apontam o senador. Outros 22,5% não souberam responder.

Uma eleição polarizada?

Apesar da concentração das intenções de voto em Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa também mediu o sentimento do eleitorado frente à disputa de 2026. Os dados revelam que, embora os dois nomes concentrem a corrida presidencial, uma parcela relevante dos brasileiros ainda está aberta a uma alternativa. Questionados sobre qual seria o melhor resultado da eleição para o Brasil, 35,5% disseram preferir uma nova vitória de Lula, enquanto 25,3% gostariam que a família Bolsonaro voltasse ao poder. Outros 25,2% escolheriam um candidato moderado, que não seja nem Lula nem Bolsonaro, e 11% disseram preferir um nome de fora da política.

A busca por uma alternativa, porém, não significa necessariamente uma rejeição aos políticos tradicionais. Para 71,9% dos entrevistados, o próximo presidente deveria ser um político experiente, que já conhece a política, enquanto apenas 12,5% preferem alguém novo, de fora do sistema político. Inclusive, o desejo por menos conflito também aparece entre as prioridades para o próximo governo. Para 23,9%, o principal desafio do próximo presidente deveria ser acabar com a corrupção e fazer a lei valer para todos. Em seguida, aparecem fazer a economia funcionar melhor (20,9%), deixar o país mais calmo, com menos brigas (20,5%) e melhorar serviços básicos como saúde e educação (19,2%).

Mesmo com a proximidade da eleição, o eleitorado ainda não parece totalmente mobilizado pelo confronto entre os dois polos. Entre os entrevistados, 43,3% dizem estar totalmente ou parcialmente animados com o processo eleitoral, enquanto 23,1% afirmam estar parcialmente ou totalmente desanimados.

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